Petroleiros e centrais sindicais realizam, nesta segunda-feira (23/03), uma manifestação em Manaus pedindo a reestatização da refinaria do Amazonas. O ato, organizado pelo Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) e pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), está previsto para as 17h, em frente ao Centro de Convenções Vasco Vasques.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, representantes da categoria defendem o retorno da Petrobras ao refino no estado e criticam os preços praticados atualmente.

“Queremos a reestatização já, com preço justo para os amazonenses. Desde que a refinaria foi privatizada, o combustível ficou entre os mais caros do país. Isso tem que acabar, restatizacao já, Petrobras de volta ao refino no estado do Amazonas”, afirmam em vídeo.

Alta nos preços pressiona consumidores

A mobilização ocorre em meio à escalada recente nos preços da gasolina na capital. Em alguns postos, o litro já chega a R$ 7,59. Nas últimas duas semanas, o aumento acumulado é de cerca de R$ 0,60 por litro, impactando o orçamento dos motoristas.

Sobre a privatização

A Refinaria da Amazônia foi privatizada em dezembro de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. Desde então, passou a ser operada pelo Grupo Atem. Segundo o sindicato, a unidade deixou de produzir combustíveis em 2024 e passou a funcionar como base logística.

Outro ponto levantado é o deslocamento da produção de petróleo do Amazonas. Em 2025, conforme relatório do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP), o petróleo extraído em Coari passou a ser refinado em outros estados, enquanto a unidade de Manaus não registrou produção no período.

Posição da empresa

Diante do aumento dos preços, a Refinaria da Amazônia (REAM) divulgou nota oficial no fim de semana para esclarecer os fatores que impactam o mercado de combustíveis na região. Sem citar reajustes específicos, a empresa apontou que o cenário atual é influenciado principalmente por variáveis externas, com destaque para o mercado internacional de petróleo.

Segundo a refinaria, a REAM responde por aproximadamente 30% do volume de combustíveis comercializados no Amazonas e cerca de 5% na Região Norte. A companhia ressaltou, no entanto, que o abastecimento local não depende exclusivamente de sua atuação, sendo compartilhado com outros agentes, como a Petrobras, importadores e operadores logísticos.

Novo cenário regulatório

A discussão ocorre dias após a publicação da Portaria Interministerial nº 167, que estabelece regras para o processamento de derivados de petróleo na Zona Franca de Manaus. A medida exige maior industrialização local para acesso a incentivos fiscais, o que pode influenciar o futuro do setor na região.

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