As facções criminosas na região Norte estão se interiorizando e chegam a territórios de comunidades tradicionais, onde se relacionam com crimes ambientais como contrabando de madeira, garimpo ilegal e disputa de terras. É o que mostra o estudo “Cartografias das Violências na Região Amazônica”.

O estudo, lançado em junho do ano passado como parte do anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi divulgado durante a COP27 (conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada em novembro, no Egito).

“Hoje, temos no Pará, no Amazonas e nos outros estados a presença do Comando Vermelho, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e o surgimento de facções locais e regionais que têm algum tipo de aliança com esses grupos do Sudeste”, afirmou Aiala Colares, coordenador do estudo, professor e pesquisador da Universidade Estadual do Pará (Uepa), em entrevista à Folha de S. Paulo.

De acordo com o estudo, em 2020, os estados da Amazônia Legal apresentam taxas de violência letal mais altas que a média nacional. Enquanto no Brasil, a taxa é de 23,9 mortes violentas intencionais (MVI) a cada 100 mil habitantes, nos estados da região amazônica ela é de 29,6, sendo ainda superiores em estados como Amapá (41,7), Acre (32,9) e Pará (32,5).

Segundo o pesquisador, os estados da Região Norte têm muitas limitações para combater a criminalidade. Além disso, Colares explica que, para um trabalho mais eficaz, o trabalho precisa do envolvimento de todos os países que englobam a Amazônia.

“O combate a atividades criminosas, o fortalecimento das medidas ambientais e da fiscalização e a defesa dos povos da floresta são uma estratégia para preservar a natureza e garantir a segurança climática do planeta”, destacou.

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