Bual é acusado de rachadinha. Ao lado direito, dinheiro em espécie apreendido durante a operação Face Oculta | Foto: Reprodução
Mesmo preso há dois meses, o vereador Rosinaldo Bual (Agir) já recebeu R$ 52.161,96 de salários da Câmara Municipal de Manaus (CMM) referente aos meses de outubro e novembro. O pagamento continua sendo realizado porque, embora afastado do cargo pela Justiça, o parlamentar não teve o mandato cassado pela Casa Legislativa.
Acusado de praticar “rachadinha” e de usar dinheiro público para agiotagem, Bual foi preso no dia 3 de outubro durante a operação “Face Oculta”, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas, e afastado do cargo por 120 dias. Ainda assim, o parlamentar recebeu normalmente os salários de outubro e novembro.
Valores
O salário-base mensal do vereador é de R$ 26.080,98, valor recebido nos dois meses em que segue detido, totalizando R$52.161,96. Após os descontos de previdência (R$ 951) e imposto de renda (R$ 6.001,84), o total líquido recebido chega a R$ 38.255,04 no período. Os dados constam no Portal da Transparência da CMM. A verba de gabinete também permanece ativa.
Já a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, o Cotão, não foi utilizado
Inércia da Mesa Diretora
Desde o dia 6 de outubro, o Comitê de Combate à Corrupção cobra a abertura do processo de cassação do vereador. A representação permanece parada sob o argumento do presidente da CMM, vereador David Reis (Avante), de garantir “ampla defesa”.
Sem respostas, o comitê levou o caso ao MPAM, por meio de uma Notícia de Fato, pedindo apuração da conduta de David Reis pela suposta omissão diante do pedido de cassação.
Reação dos vereadores
Parlamentares também pressionam a Mesa Diretora. Quando completou um mês da prisão, Rodrigo Guedes (Progressistas) levou uma pizza ao plenário para simbolizar a “falta de providências” da direção da CMM. Agora, no segundo mês, repetiu o gesto ao lado do vereador Amauri Gomes (União Brasil), levando um bolo com a vela número 2.
“Dois meses de ultracorporativismo, blindagem total”, criticou Guedes. Amauri reforçou: “Chega a ser uma vergonha. A Câmara tem um vereador preso, e o presidente simplesmente senta em cima do processo”.
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