Famílias de Manaus seguem e criam tradições natalinas

Mesmo com mudanças nos hábitos de consumo e o aumento no preço da cesta natalina, muitas famílias de Manaus seguem preservando tradições do Natal e, ao mesmo tempo, criando novas formas de celebrar a data. Entre ceias completas, pratos regionais e momentos de convivência, o espírito natalino continua vivo nas casas da capital.

É o caso do jovem Bernardo Besant e de sua mãe, Rita Santos, que não abrem mão de uma ceia diversa, mesa posta e da família reunida. Para eles, o planejamento começa com antecedência e envolve diálogo, organização e afeto.

“Eu e minha mãe organizamos tudo juntos. Sento com ela pra alinhar as comidas que a gente vai fazer, mas é quase sempre a mesma coisa. Meus pais trabalham em lugares que recebem aquela ave natalina, então a gente acaba comendo essa ave, e só compra o tender, que eu amo”, conta Bernardo.

Na divisão das tarefas, ele assume boa parte da cozinha. “Quem mais ajuda, na verdade, não é ela, sou eu. Eu faço basicamente todos os pratos. Às vezes ela faz uma sobremesa, que é um bolo sorvete de baunilha, ou então compra uma sobremesa. Mas quem faz as comidas sou eu, e ela sempre faz a farofa dela, que não pode faltar”, explica.

Além da comida, Bernardo destaca que o Natal da família também é marcado por gestos de carinho. Mais do que a ceia da noite, a família cultiva uma tradição própria: passar o dia juntos

“O que não pode faltar é presente e amor. Amo dar presentes, eles também amam, então isso é muito importante para gente. No dia 24, a gente sempre toma café da tarde junto. Faz um lanche com bolo, salgadinho, conversa bastante. Depois cada um vai fazer o que tem pra fazer e, à noite, a gente janta a ceia. Vejo que muitas pessoas só se encontram à noite, mas na minha família esse momento durante o dia é uma tradição muito forte”, conclui.

Natal com sabor regional

A valorização das tradições também passa pela comida. A professora Laura Lica é uma das amazonenses que fazem questão de incluir pratos regionais na ceia, sem deixar de lado os clássicos natalinos. Na sua casa, o pirarucu à casaca é presença garantida.

“Apesar de comermos o peru, também temos o hábito de valorizar pratos daqui da nossa região, como o pirarucu. Aqui em casa já é tradição. Meus primos, sobrinhos, minha avó e minha mãe adoram”, conta.

A ceia ainda inclui lasanha, arroz com passas e outros acompanhamentos, sempre com a família reunida.

“Minha avó criou todos os filhos com muita luta, então valorizamos muito isso. Não perdemos a oportunidade de celebrar juntos uma data que é especialmente importante para nós, que somos católicos”, diz Laura.

Esse movimento de valorização da culinária regional também se reflete no comércio. O restaurante Terra & Mar, na zona Centro-Sul de Manaus, recebe há anos encomendas para o Natal e percebe esse equilíbrio entre o tradicional e o regional.

Segundo o sócio-diretor Rogério Perdiz, os pratos clássicos continuam liderando os pedidos, mas receitas amazônicas ganham cada vez mais espaço.

“No Natal, os pratos clássicos continuam sendo os mais pedidos. Mas, por conta da nossa regionalidade e do consumo de peixe ao longo do ano, é comum a encomenda de pratos como o pirarucu à casaca. É um prato que exige cuidado, e muita gente prefere deixar a preparação conosco”, explica.

Preços e adaptações

Neste ano, o aumento no preço da cesta de Natal também influencia as escolhas das famílias. Conforme o IPC, Índice de Preços ao Consumidor, divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a cesta natalina deve registrar alta de 4,5%. Em 2024, a alta foi de 9,16%.

Diante desse cenário, algumas famílias optaram por adaptações. É o caso da contadora Maria Margareth Oliveira, que decidiu substituir o peru por outras opções.

“Como o peru está muito caro, vamos aproveitar outras aves. Estamos planejando fazer um chester, usar um corte diferente do porco e complementar com outros pratos tradicionais, como o salpicão que leva frango. Pra mim, continua igualmente interessante”, comenta

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