A nova Classificação Internacional de Doenças começou a valer desde o dia 1º de janeiro de 2022. Doença não tem cura, mas tem tratamento
São Paulo – O lipedema é uma doença crônica, que atinge mulheres no mundo inteiro, causada pelo acúmulo de gordura nos braços, quadris e, principalmente, nas pernas, que provoca dores, problemas de locomoção e uma sensação de peso nesses membros. Ser pouco conhecida não só pelas pessoas, mas especialmente pelos médicos, é um dos pontos de atenção, pois dificulta ajuda médica e não garante tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou convênios. No entanto, a sociedade ganhou uma importante batalha: o lipedema acaba de ser reconhecido como doença na nova Classificação Internacional de Doenças – o CID 11 -, que entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano.
O CID, usado para padronizar mundialmente as doenças, é a “ferramenta” que acompanha a incidência e o avanço de diversas doenças e seus tratamentos. Com a ajuda da nova classificação, o lipedema – cujo CID é o EF 02.2 – deixa de ser uma doença subdiagnosticada por médicos e pela sociedade.
“O que se espera agora é que as milhões de mulheres que sofrem com o lipedema no Brasil sejam amparadas e que o tratamento médico seja multiespecialidades, mais aprofundado e, por consequência, mais qualificado em todo o País. Hoje, o Instituto Lipedema Brasil, que é um centro de referência da doença no Brasil, compartilha conhecimento e luta por essa transformação social. Ainda temos muitas outras, mas ganhar a batalha do CID já é uma vitória para todos nós”, comentou o médico Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil e um dos pioneiros no tratamento cirúrgico da doença no País.
As principais características do lipedema, que possui cinco tipos e quatro estágios, são: dores frequentes nas regiões das pernas, quadril, braços e antebraços, que ficam mais grossos e desproporcionais em comparação com o restante do corpo, no tornozelo parece que há um “garrote” e os joelhos perdem o contorno. “A mulher pode apresentar hematomas (ficar roxa) por qualquer movimento mais brusco. Isto acontece porque a doença provoca reação inflamatória em células de gordura nestas regiões”, ressaltou Kamamoto.
Se há perda de mobilidade, aumento progressivo dessa gordura com o passar dos anos, se há dor em algumas das regiões-foco e dificuldades em eliminar a gordura mesmo com dieta e atividade física, é recomendado procurar ajuda médica, pois pode ser lipedema.
Há dois tipos de tratamento para o lipedema, o clínico e o cirúrgico. O clínico é composto por dieta anti-inflamatória (legumes, carnes, sem sódio e glúten ou bebidas alcóolicas); uso de plataforma vibratória, que diminui o inchaço nas regiões; drenagem linfática para tirar o excesso de líquido; e, por fim, a técnica de taping, aplicada por um fisioterapeuta para melhorar o desconforto. Estas ações amenizam os sintomas, mas não resolvem o problema da gordura nas regiões dos braços, pernas e quadril, pois não extrai as células doentes. Já o cirúrgico é feito com lipoaspiração e é definitiva. “Uma vez removida, esta gordura não volta mais, pois não há multiplicação dessas células.
Fonte: Governo do Estado do Amazonas em 06/01/2022
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