Os bois-bumbás Caprichoso e Garantido marcaram presença no 22º Acampamento Terra Livre (ATL), considerado o maior encontro indígena do Brasil, realizado em Brasília desde o último domingo (5). A mobilização reúne cerca de 200 povos originários de diversas regiões do país e, neste ano, tem como tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.

Na manhã desta terça-feira (7/4), aconteceu a marcha pela Terra Livre, numa caminhada pela resistência dos povos. A participação dos bumbás reforça como a arte potencializa as lutas dos povos indígenas em defesa da Terra, da vida e da demarcação de territórios como política climática.

O povo Caprichoso se fez presente com a representatividade do pajé azulado, Erick Beltrão, a tuxaua Gilvana Borari e o tripa indígena do bumbá, Davi Emanuel Soares, o Davi Arawak. Eles participam desde o primeiro dia do movimento, fazendo parte de debates, apresentações e demais interações com os povos originários.

“Eu me sinto no dever, como indígena, de estar aqui participando junto ao Boi Caprichoso, mostrando que a resistência, a perseverança do povo Caprichoso não é um discurso apenas na arena, ela se faz concreto. A prova disso é aqui, no movimento indígena ATL, Acampamento Terra Livre, é que a gente veio do início ao fim, na marcha, sem descansar. Para mostrar essa luta, essa resistência, que é estar aqui junto ao movimento indígena ATL”, destaca o primeiro indígena a ser tripa de um boi-bumbá.

Caprichoso e Garantido participam do Acampamento Terra Livre
Foto: Michel Amazonas

Para o pajé do boi Caprichoso, Erick Beltrão, a participação do Caprichoso efetiva uma das inúmeras lutas do bumbá. “O Caprichoso é um boi de luta e a causa indígena é uma das nossas maiores bandeiras. Nossa participação aqui confirma essa luta, porque não somos um movimento apenas de discurso. Estamos sempre presentes nas principais manifestações que lutam pela humanidade”, afirma.

O Garantido é representado pelo pajé Adriano Paketá, por Izabel Munduruku, membro da Comissão de Artes, e pelo tripa Batista Silva.

Segundo Adriano Paketá, a participação no ATL é muito significativa e reforça o apoio às lutas dos povos indígenas, dentro e fora da arena, entre elas a proteção da Amazônia e o combate à invasão e devastação de territórios indígenas, que afetam vidas humanas, fauna, flora e os rios.

“O Garantido faz parte dessa luta e é o boi da resistência, das lutas e das causas indígenas. Nos unimos a este grito por terras indígenas que, há décadas, ainda lutam pela homologação da demarcação, por direitos à educação diferenciada e à saúde de qualidade nos territórios. Além da proteção da Amazônia e dos biomas do Brasil, e da conscientização sobre as mudanças climáticas”, afirmou Adriano.

Caprichoso e Garantido participam do Acampamento Terra Livre
Pajé Adriano Paketá – Foto Yasmin Cadore

Conforme Izabel Munduruku, em 2026, o tema do ATL reforça a necessidade da demarcação de territórios indígenas como garantia de futuro e de sobrevivência, não apenas para a vida humana, mas para todas as vidas existentes.

“Trata-se de uma perspectiva que considera os biomas, os saberes e tudo aquilo que, científica e cosmologicamente, já é comprovado: os territórios indígenas concentram as maiores áreas de floresta nativa e são fundamentais como estratégia de mitigação das mudanças climáticas e de seus impactos em todo o planeta”, destacou Izabel.

Sobre a marcha
O ATL é um movimento promovido e organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que tem como pauta principal os direitos constitucionais dos indígenas. Entre as demandas estão a PEC 48 do Marco Temporal, as demarcações das terras, ocupação de território indígena por trabalhos de mineração e demais assuntos voltados à causa indígena. O acampamento encerra no sábado, 11, com o retorno das delegações e desinstalação do Acampamento.

👁 6 visualizacoes

PUBLICIDADE