Redução de energia elétrica na região foi de 83,8%, conforme dados do Ministério de Minas e Energia; causa ainda está sendo investigada (Beth Santos/Secretaria-Geral da PR).


Manaus (AM) – A região Norte, com seus mais de  15 milhões de habitantes, foi a que mais sofreu com o blecaute de energia elétrica ocorrido nesta terça-feira (15) em todo o País. Os Estados do Norte tiveram, no total, 83,8% de sua capacidade reduzida. O subsistema elétrico da região caiu de 7.174 para 1.159 MW. Inúmeras cidades amazônicas, inclusive as capitais, sofreram com a interrupção no fornecimento de energia. A única exceção foi Roraima, que é abastecido por uma termelétrica fora do sistema nacional.

De acordo com informações divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), a partir de dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), uma ocorrência na rede de operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) interrompeu 16 mil MW de carga no Norte e no Nordeste. Isso repercutiu também no Sudeste, onde outros Estados também foram afetados. O blecaute teve início às 8h32 (horário de Brasília).

Segundo o MME, a falha no sistema provocou a separação elétrica das regiões Norte e Nordeste do Sul e Sudeste, com abertura das interligações entre essas regiões. A interrupção no Sul e Sudeste, sentida de forma esparsa, mas com grande impacto, como no transporte ferroviário (metrô e trens), foi adotada para evitar o escalonamento do problema, gerando um efeito cascata. A causa do problema ainda está sendo investigada.

O Liberal, do Pará, afirmou que o apagão teria começado na Subestação Xingu, que fica na cidade de Anapu (PA), a menos de 20 quilômetros da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA). A subestação recebe energia de Belo Monte e a redistribui para o resto do País. Ainda segundo o jornal, não houve “necessariamente” uma falta de energia, mas uma “falha operacionbal” que fez a unidade parar de funcionar. 

Se confirmada a falha no sistema em Belo Monte, não terá sido a primeira vez que o problema gera um apagão no Brasil. Em 2018, uma falha na linha de transmissão administrada pela Belo Monte Transmissora de Energia causou a última grande interrupção nacional que se tem registro.

Barragem de Belo Monte, onde funciona a casa de força principal da hidrelétrica, vista da Transamazônica, em Altamira, Pará, (Foto: Lilo Clareto/Amazônia Real).

De acordo com a Amazonas Energia, concessionária de energia do Amazonas, o desligamento intempestivo nacional afetou o Linhão de Tucuruí. A energia foi interrompida em Manaus, Manacapuru, Iranduba, Presidente Figueiredo, Parintins e Itacoatiara. 

Segundo informações da Amazonas Energia, 50% da carga de energia do Estado já havia sido normalizada até 11 horas, por meio de geração interna e da usina hidrelétrica de Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo (a 126 quilômetros da capital amazonense). 

No Pará, a falta de luz foi registrada na capital Belém, e nas cidades de Marituba, Ananindeua, Castanhal, Salinópolis, Altamira e Santarém. No Acre, pelo menos 234 mil pessoas ficaram sem energia. Faltou luz na capital Rio Branco e em mais 16 cidades do Estado. Em Tocantins, houve interrupção de luz em Palmas, Araguaína, Gurupi e Paraíso. Rondônia e Amapá também foram afetados. Roraima escapou do apagão, porque a sua energia é produzida por termelétricas da empresa Roraima Energia. No total, o blecaute atingiu 25 Estados brasileiros, mais o Distrito Federal.   

Até 10h22, menos de 30% da carga da região Norte estava normalizada. No Nordeste foram retomados 68% até o mesmo horário. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), 55% da carga da região Norte e 81% do Nordeste já haviam sido recompostas até as 12h25, enquanto a situação já se encontrava normalizada no Sul e Sudeste.

Geraldo Alckmin (PSB), o presidente em exercício, por conta da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para acompanhar a posse do presidente do Paraguai, Santiago Peña, falou sobre o blecaute. “A gente deverá em poucas horas, se tudo correr bem, estar com tudo normalizado. E aí, vai se investigar a causa dessa perda de carga. Mas a ação foi rápida do Ministério de Minas e Energia, dos seus técnicos, da equipe toda (…).  A Região Sul, Sudeste e Centro-Oeste 100% normal. O Nordeste já recuperou 80%, e a região Norte, mais de 40%”, disse Geraldo.

Na sexta-feira (4), no município de Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus), o presidente Lula relançou umas vedetes de seus dois primeiros mandatos, o programa “Luz para todos”. Na ocasião, Lula assinou um decreto que autoriza o Brasil a importar energia elétrica de países vizinhos. A medida serve para que o País possa voltar a comprar energia da hidrelétrica de Guri, na Venezuela.

A compra da energia elétrica venezuelana foi interrompida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que em seu governo rompeu relações diplomáticas com a Venezuela. 

Sistemas interligados

Por ser totalmente interligado ao ONS, o suprimento de energia elétrica depende do funcionamento correto em todas as pontas em cadeia. Quando um grande produtor apresenta problemas, como são as usinas da região Norte, nem sempre é possível compensar a perda de forma imediata. No Norte, a geração de energia elétrica é predominantemente por usinas hidrelétricas (4.108 MW).

O estado do Pará concentra a maior quantidade de hidrelétricas do Norte com as usinas de Belo Monte, no rio Xingu, com capacidade de geração de 11.233 MW; a de São Luiz do Tapajós, no rio Tapajós (8.381 MW); a de Tucuruí, no rio Tocantins (8.370 MW), e a de Jatobá, no rio Tapajós (2.338 MW); a do rio Teles Pires (1.819,8 MW); e Santo Antonio do Jari (392,95 MW).

O Amapá conta com a usina Hidrelétrica Ferreira Gomes, no rio Araguari (252 MW); a de Samuel (216 MW), no rio Jamari, Rondônia; Cachoeira Caldeirão, no rio Araguari (219 MW). No rio Madeira, em Rondônia, já estão em operação a usina hidrelétrica de Santo Antônio (3.300 MW) e a de Jirau (3.300 MW).

No Tocantins, a usina Hidrelétrica de São Salvador possui capacidade de 243,2 MW, enquanto a hidrelétrica de Balbina, no rio Uatumã (AM), tem a capacidade de geração de 250 MW.

Interligação da usina de Tucuruí na Amazônia ( Foto: Divulgação/2013/PAC)

* Reportagem será atualizada conforme mais informações sejam divulgadas e/ou apuradas


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