Amazonas tem quase 1 milhão de trabalhadores informais, aponta IBGE

Nazaré da Rocha, de 58 anos, é autônoma e produz peças em crochê que vende no Centro de Manaus. Ela exemplifica o atual cenário de contrastes do mercado de trabalho no Amazonas. Atualmente, 956 mil pessoas trabalham de maneira informal, o que representa 52,1% da população ocupada no estado.

A vendedora atribui sua informalidade à baixa escolaridade e à falta de oportunidades para pessoas acima dos 50 anos no mercado de trabalho.

“Não pude fazer curso superior e tenho mais de 50 anos. As vagas de emprego estipulam até o limite de idade. Então, só posso me candidatar naquelas funções de baixo salário, mas sinto que apesar do salário fixo, não compensa. Por conta própria, posso fazer meu próprio horário e às vezes ter até mais lucro com meus produtos, sem ninguém me supervisionando”, disse.

Embora tenha atingido a menor taxa de desocupação desde 2014 — 7,7% no segundo trimestre de 2025 —, o Amazonas possui a menor proporção de trabalhadores do setor privado com carteira assinada do Brasil: apenas 60,7%, frente à média nacional de 76,2%, conforme levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE.

Os dados revelam que a queda no desemprego foi acompanhada por um massivo crescimento da informalidade, que hoje atinge 956 mil pessoas, 52,1% da população ocupada no Amazonas.

O percentual coloca o estado na quinta posição do ranking nacional de taxa de informalidade, sendo superado apenas por Maranhão (56,2%), Pará (55,9%), Bahia (52,3%) e Piauí (51,8%).

“Uma parcela significativa da população ocupada no Amazonas está inserida no mercado de trabalho informal, posicionando o estado entre os de maior informalidade no país. Essa informalidade aqui e em outras regiões do Norte reflete a estrutura econômica local, muitas vezes ligada a atividades de baixa produtividade e baixa remuneração”, disse o supervisor de disseminação de informações do IBGE no Amazonas, Adjalma Nogueira.

Escolha
Especialistas apontam que a escolha pela informalidade, mesmo sem benefícios trabalhistas, pode ser uma decisão econômica estratégica para muitos. Para Frederick Fagundes, professor de Economia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a escolha pela informalidade muitas vezes é uma decisão econômica.

“Tem muito a ver com a dinâmica da atividade econômica. As pessoas gostam de ter a carteira assinada, devido aos benefícios, mas se a renda for muito baixa, preferem recorrer à informalidade e trabalhar por conta própria. Para muitos com pouca qualificação, a alternativa é um emprego formal com salário mínimo ou uma ocupação informal que pode dobrar o rendimento. O grande ponto é ter políticas públicas que tentem reduzir isso e busquem qualificar e formalizar essas pessoas, mas talvez seja preciso um olhar mais local”, explica.

Mercado de Trabalho no Amazonas – 2º Trimestre de 2025:

Desocupação: 7,7%

  • Menor índice desde 2014
  • -2,3 p.p. em relação ao trimestre anterior
  • -0,3 p.p. em relação ao mesmo período de 2024

Nível de ocupação: 55,8%

  • +0,1 p.p. frente ao trimestre anterior
  • +0,8 p.p. em relação a 2024

Participação na força de trabalho: 61,6%

  • Estável em relação ao trimestre anterior
  • +1,8 p.p. frente a 2024

População ocupada: 1,8 milhão

  • +2,8% em relação ao trimestre anterior
  • +5,8% em relação a 2024

Empregados com carteira: 1,1 milhão

  • +6,5% frente ao trimestre anterior
  • +8,2% em comparação a 2024

Massa de rendimento real: R$ 4,2 bilhões

  • +0,8% (R$ 32 milhões) frente ao trimestre anterior
  • +8,7% (R$ 337 milhões) em relação a 2024

Taxa de informalidade: 52,1%

  • 956 mil pessoas
  • 5ª maior do Brasil

Rendimento médio real: R$ 2.448

  • -2,9% em relação ao trimestre anterior
  • +2% frente a 2024

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