Amazonas reduz focos de calor no primeiro semestre e reforça ações de combate

O Amazonas registrou uma redução de 67% nos focos de calor no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com o início da temporada de queimadas, Governo do Amazonas e as prefeituras estão em força-tarefa para combater incêndios. Ações de monitoramento, fiscalização e educação ambiental estão sendo intensificadas, principalmente no sul do estado, que segue sendo a região de maior preocupação das autoridades.

Em junho, foram registrados 222 focos de calor, ante 258 no mesmo período do ano passado. A maioria ocorreu em áreas federais (83,52%), seguida por áreas estaduais (8,79%) e por regiões sem regularização fundiária (7,69%).

Já em julho, a queda foi mais expressiva, apresentando redução de 93,44% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o número chegou a 4.241 focos.

“Todo o trabalho que a gente tem feito traz os bons resultados que a gente tem acompanhado. Tudo isso é resultado dessa antecipação feita pelo nosso Comitê Permanente de Enfrentamento aos Eventos Climáticos”, afirmou o governador do Amazonas, Wilson Lima.

Segundo o secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, o cenário reflete as ações integradas de monitoramento e resposta. “O Amazonas tem avançado no uso de tecnologias e no fortalecimento das equipes que atuam na linha de frente da prevenção e controle do fogo”, afirma.

O estado conta com nove Grupamentos Integrados de Combate a Incêndios e Proteção Civil (GCIPs) nas cidades de Tapauá, Rio Preto da Eva, Novo Aripuanã, Maués, Lábrea, Manaquiri, Autazes, Jutaí e Coari. Juntos, os GCIPs e as novas unidades ampliam a presença institucional nas regiões mais vulneráveis aos efeitos da estiagem e de queimadas.

Outras nove unidades estão em implantação nos municípios de Apuí, Atalaia do Norte, Barcelos, Boca do Acre, Careiro, Envira, Humaitá, Itapiranga e Manicoré.

Atualmente, o efetivo de resposta conta com 223 bombeiros militares atuando no interior do estado, sendo 21 alocados nos GCIPs e 202 nas demais unidades, além de 232 brigadistas contratados, sendo 153 pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e 79 pelas prefeituras.

“Arco do Fogo”

O Sul do Amazonas já recebe as ações da Operação Tamoiotatá, que segue até dezembro, especialmente na região chamada de “Arco do Fogo”, que abrange municípios como Apuí, Manicoré, Lábrea e Novo Aripuanã.

A força-tarefa atua no combate às queimadas, ao desmatamento ilegal e a outros crimes ambientais. Outras medidas também têm sido realizadas, como o embargo emergencial via satélite, impedindo a legalização de áreas desmatadas ilegalmente sem o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Conforme o presidente, essa é uma forma de o estado inteiro ser monitorado, mesmo que não haja agentes atuando fisicamente em todas as áreas.

Líderes em focos

Apuí e Manicoré lideram os focos de calor no Amazonas em 2025, com 73 e 72 focos respectivamente.

A secretária de meio ambiente de Manicoré, Marta Regina Pereira, informou que rondas diárias, medidas educativas e punitivas para reverter o cenário estão sendo aplicadas. “Manicoré tem se preparado para esse período (verão amazônico). Fazemos rondas em toda a área urbana e as vicinais, das 17h à meia-noite. Também orientamos as pessoas e realizamos ações apagando os pequenos focos de incêndio de quintais”, afirmou.

Qualidade do ar comprometida

Desde o início do verão amazônico, alguns municípios já registraram os primeiros alertas relacionados à poluição atmosférica. A Defesa Civil do Amazonas chegou a emitir dois alertas no último dia 24 de julho. Beruri, Eirunepé e Carauari tiveram qualidade do ar moderada, enquanto Lábrea registrou qualidade ‘ruim’, com riscos para toda população.

De acordo com o órgão, o aumento do material particulado que compromete a qualidade estava relacionado com focos de calor e outros fatores ambientais.  Ainda assim, a poluição agrava doenças respiratórias, especialmente em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

“Durante a inspiração, as partículas atingem as vias respiratórias, causando inflamação e maior vulnerabilidade a infecções”, explica a pneumologista Maria do Socorro Cardoso, professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

👁 2 visualizacoes

PUBLICIDADE