O Amazonas registrou 982 desaparecimentos em 2025, uma média de três casos por dia, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e do Painel de Segurança Pública (Sinesp). O número supera os dados de 2024 e coloca o Amazonas como o 3º estado com mais ocorrências na região Norte. Manaus concentra a maioria dos casos, com 930 notificações ao longo do ano.

A delegada Alyne Lima, titular da Delegacia Especializada em Ordem Política e Social (Deops), destaca que a maior incidência está entre os homens (576 casos), seguida pelas mulheres (406). A faixa etária mais vulnerável é a de 0 a 17 anos, com 542 registros — que, em Manaus, são de competência da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).

De acordo com a autoridade policial, a subnotificação do desfecho dos casos e a omissão de detalhes pelas famílias são os maiores obstáculos. “Os casos se enquadram em sua maioria nas chamadas fugas do lar, consequência de conflitos familiares, relacionamentos proibidos ou até envolvimento com o crime. A maior dificuldade é que muitas famílias não informam o possível motivo, que geralmente é por fuga, em casos de vítimas que sofrem preconceito, violência ou filhos que se revoltam com os pais”, explicou Alyne Lima.

A delegada ressaltou ainda o impacto da criminalidade nos casos. “Percebemos o aumento da participação de muitos jovens em grupos criminosos de tráfico, o que tem causado um número considerável de desaparecidos, especialmente homens entre 19 e 30 anos”.

Alyne Lima enfatiza a urgência do registro: “Precisamos desmistificar que se deve esperar 24 horas para notificar. Quanto menos tempo se perde, é mais fácil para a gente elucidar”.

Em 2024, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) aderiu ao Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), que centraliza dados e permite que qualquer cidadão envie informações diretas aos investigadores através do portal cnpd.mj.gov.br.

“Paredão” contra desaparecimentos

Para combater a alta nos índices, a deputada estadual Mayra Dias (Avante) apresentou um requerimento, que propõe a ampliação das funções do sistema de videomonitoramento “Paredão”. A parlamentar defende que o sistema seja integrado aos bancos de dados da PC-AM, através do CNPD e de hospitais.

Casos de repercussão

Entre tantos casos, muitos seguem sem resposta, como o de Erlon Gabriel. O menino tinha apenas 2 anos quando desapareceu, no dia 6 de fevereiro de 2020, enquanto brincava no pátio de casa, no bairro Tarumã-Açu. Hoje, Erlon Gabriel teria 6 anos.

Outro desaparecimento emblemático é o de Shara Ruana Reis, há 17 anos. Ela tinha apenas 7 anos quando saiu para comprar pão no dia 28 de outubro de 2007 e nunca mais voltou. Segundo a polícia, ela desapareceu no bairro Betânia, zona Sul de Manaus. Atualmente, Shara Ruana teria 24 anos. As buscas seguem até hoje.

O desaparecimento de Cinthia da Gama Pereira, de apenas 12 anos, também segue sem solução. A menina saiu de casa no dia 5 de outubro de 2016 para buscar o irmão, de 10 anos, na escola, no Vale do Sinai, bairro Cidade Nova, zona norte, e nunca mais foi encontrada.

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