Reportagem audiovisual relata o dia a dia de pessoas afetadas pela cheia do rio Negro em 2021. Na imagem acima, casa alagadas no igarapé do Educandos em Manaus (Foto: Fernando Crispim/ LaXunga/ Amazônia Real) .
O documentário “Agachados”, da Amazônia Real, que relata a vida de pessoas afetadas pela cheia extrema do rio Negro em 2021, é um dos finalistas do Prêmio Megafone de Ativismo 2023. Em sua segunda edição, o prêmio tem o objetivo de aumentar a visibilidade de ações de combate à crise climáticas e causas relacionadas.
“Agachados” tem roteiro assinado pelas jornalistas Alicia Lobato e Kátia Brasil, imagens e montagem de Orlando Júnior, imagens de drone de Fernando Crispim, montagem e arte de Jayth Chaves Junior, além da consultoria do ambientalista Carlos Durigan. Estreou em maio de 2022 no canal do Youtube da agência. Para assistir, clique aqui.
Alícia Lobato disse que acompanha o prêmio Megafone de Ativismo desde a sua primeira edição e ficou muito contente quando viu que o documentário da Agência Amazônia Real foi indicado. “É um trabalho muito importante que abre diversas reflexões sobre moradia e como a crise climática tem afetado a população de Manaus. Fico muito feliz por esse reconhecimento e pelo documentário ter alcançado essa visibilidade nacionalmente”.
O documentário mostra a crise humanitária provocada pelas cheias. As populações ribeirinhas sofrem danos econômicos e sociais, situação agravada pela falta de políticas públicas específicas para o tema. Ausência de abrigos para as famílias, dificuldade para alimentação e improvisos para garantir a sobrevivência fazem parte do cenário de calamidade pública.
Para não abandonar suas casas alagadas, muitas delas palafitas construídas com restos de madeira, os moradores das áreas mais pobres erguem por conta própria pontes, que viram as ruas dos bairros alagados.
O nome do documentário, “Agachados”, retrata a realidade das vítimas das cheias extremas. Os ribeirinhos constroem marombas (segundo assoalho) dentro de suas casas para não perderem móveis, eletrodomésticos e até alimentos. As marombas também protegem de ataques de cobras e ratos. Como esse segundo assoalho fica próximo ao teto das casas, os moradores precisam viver agachados para se locomover.
“O tempo todo abaixadinho, por conta dos fios, fica perigoso. Quando não, são os paus que a gente machuca a cabeça e todo tempo é desse jeito, tem que andar agachadinho para não se machucar”, contou Jacenira Batista da Silva, uma das entrevistadas. Ela é de Cacau Pirêra, distrito de Iranduba, no Amazonas.
Pesquisadores afirmam que a cheia extrema é resultado da crise climática associada à ação humana na Amazônia. A emissão de gás carbono das florestas desmatadas e queimadas na atmosfera interferem no ciclo das águas. Uma das consequências são fenômenos climáticos, como a La Niña, o que aumenta as inundações.
“Agachados” concorre com os documentários “Formigueiro – a revolução cotidiana das mulheres”, uma produção independente que retrata a resistência das mulheres brasileiras em seus territórios; “Damas Doc”, filme realizado de forma colaborativa sobre temas ligados à transgeneridade; “Onde aprendo a falar com o vento”, sobre um grupo de jovens que fundou o festejo Reinadinho, em Oliveira (MG); e “O Território”, documentário premiado coproduzido pelos Uru-eu-wau-waus e que retrata a luta desse povo indígena contra o desmatamento e as invasões de garimpeiros, posseiros e grileiros.
O PRÊMIO

O Prêmio Megafone de Ativismo é realizado por uma coalização de organizações como o Instituto Socioambiental (ISA), o Greenpeace Brasil, o Pimp My Carroça, a WWF, o Engajamundo, o Hivos e a Vozes Pela Ação Climática Justiça (VAC). O enfraquecimento das políticas ambientais e sociais nos anos de governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estimulam essa premiação a buscar o fortalecimento da sociedade civil e do ativismo como ferramenta para a garantia de direitos.
Este ano foram 70 indicados em 14 categorias. Os 14 premiados serão revelados ainda este mês, em data ainda não divulgada.
A jovem líder indígena Txai Suruí, da Amazônia, é uma das indicadas para o prêmio Megafone do Ano. Ela foi a única brasileira a discursar na abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) e sofreu perseguições por parte de bolsonaristas. Txai concorre com os ativistas Rita Von Hunty (drag queen e professora brasileira), Richarlyson (jogador da seleção), Anielle Franco (ministra da Igualdade Racial) e Paulo Galo (militante da luta contra a precarização do trabalho).
Outros ativistas que representam a região estão entre os indicados ao prêmio. Beka Munduruku, comunicadora e também jovem liderança indígena, é finalista na categoria jovem ativista; Samela Sateré Mawé concorre pelo melhor perfil em rede social; e a Ocupação de Lideranças Indígenas pela Demarcação no Acre é finalista na categoria marcha ou manifestação.
Veja aqui a lista completa dos indicados.
O post ‘Agachados’, documentário da Amazônia Real, é finalista no Prêmio Megafone 2023 apareceu primeiro em Amazônia Real.
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