Imagens de câmeras de segurança divulgadas nesta segunda-feira (17/11) mostram o coronel da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Marcos Vinicius Poinho Encarnação, agredindo brutalmente a esposa, a dentista Iolanda Martins, em um posto de gasolina no bairro Parque das Laranjeiras, zona Centro-Sul de Manaus. O episódio ocorreu no dia 4 de junho deste ano e motivou o afastamento do oficial naquele mês, após denúncia da vítima.
Segundo o advogado da vítima, Alexandre Torres Jr., o desentendimento começou por volta das 5h, quando o casal discutiu após ingerir bebidas alcoólicas.
“O motivo da briga foi porque ela queria ir embora e ele não. Houve um desentendimento sobre como e quando deixariam o posto, se de moto, carro ou aplicativo de transporte. Nesse momento ele já alterado, arrasta a vítima para fora de uma loja de conveniência e inicia as agressões”, explicou.
O vídeo mostra o coronel, de bermuda verde e camisa preta, montado sobre esposa no chão, enquanto desferia diversos socos em seu rosto. A dentista tenta se defender, mas é novamente imobilizada e chega a desmaiar. Outras pessoas presenciam a agressão, mas nenhuma intervém.
Defesa também acusa PMs por agressão
De acordo com o advogado da vítima, após desmaiar, Iolanda foi carregada para um quarto dentro da loja de conveniência do posto, onde permaneceu desacordada por horas. Quando acordou, por volta das 10h, houve um novo desentendimento, momento em que a PM já havia sido acionada.
Em outro vídeo, a dentista aparece sendo imobilizada por policiais militares. Segundo Torres, ela também foi agredida pelos agentes.
“A violência continuou mesmo depois que as viaturas chegaram. Os policiais saíram em defesa do coronel, isso também foi incluído no processo para todos os envolvidos sejam responsabilizados”, afirmou.
Vítima reuniu provas
Iolanda não foi levada ao hospital no noite das agressões. Ela retornou para casa e registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) Centro-Sul.
A defesa afirma que ela possui registros fotográficos de agressões sofridas entre 2022 e 2023, entregues à polícia para inclusão na denúncia.
Ainda de acordo com o advogado de defesa, a vítima se mudou para outro estado por medo de represálias.
Histórico de violência
Em junho, após o episódio, Iolanda revelou nas redes sociais que era agredida pelo marido há mais de dez anos: “Fui agredida pelo meu esposo, aquele que deveria cuidar e zelar por mim. Mas isso acontece desde 2012. Eu mascarava tudo pela minha família”, escreveu.
Em outro trecho, desabafou: “Hoje não consigo mais calar”.
Coronel segue afastado
A PMAM confirmou que o coronel responde a um Inquérito Policial Militar (IPM) desde junho, quando o caso veio à tona. Em nota, a corporação informou que o oficial teve a arma funcional recolhida e foi afastado do cargo que ocupava.
“A PMAM repudia todo e qualquer ato de violência contra a mulher”, disse o comunicado. No entanto, não respondeu às denúncias sobre a conduta dos agentes que aparecem imobilizando a vítima.
A DECCM Centro-Sul também instaurou inquérito para investigar o caso. Até a última atualização, a defesa do coronel não havia se manifestado. O caso segue sob investigação pelas duas corporações.
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