De acordo com o chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, o número de mortos ainda pode aumentar consideravelmente (AFP/AFP Photo)

O número de mortos no terremoto na Turquia e na Síria passou de 33.000 neste domingo (12), enquanto a ONU lamentou a demora no envio de ajuda humanitária às zonas sírias devastadas e advertiu que o número final de vítima fatais pode ser mais do que o dobro do atual.

Os últimos balanços falam de 33.179 mortos (29.605 na Turquia, e 3.574, na Síria), pelo terremoto mais violento da região em 80 anos.

Um novo comboio da ONU chegou ao noroeste da Síria neste domingo, procedente da Turquia, mas o chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, afirmou que é necessário mais apoio para as milhões de pessoas que perderam suas casas no terremoto de magnitude 7,8 há quase uma semana.

“Até agora, falhamos com o povo do noroeste da Síria. Eles têm direito de se sentirem abandonados, esperando por ajuda internacional que não chega”, disse Griffiths, acrescentando que “meu dever e minha obrigação é corrigir essa falha o mais rápido possível”.

A situação se agrava na Síria, cujo sistema de saúde e infraestrutura global estão sobrecarregados por mais de uma década de guerra civil.

Composto por uma dezena de caminhões com ferramentas de resgate, além de cobertores e colchões, o comboio deste domingo atravessou o posto fronteiriço de Bab al-Hawa, saindo da Turquia, observou um correspondente da AFP.

No sábado (11), falando direto de Kahramanmaras, perto do epicentro do terremoto na Turquia, Griffiths já havia advertido que o número de mortos ainda pode aumentar consideravelmente.

“É realmente difícil estimar de forma muito precisa, porque você tem que chegar debaixo dos escombros, mas tenho certeza de que vai dobrar, ou mais”, afirmou Griffiths, no sábado (11), na cidade turca de Kahramanmaras, perto do epicentro do terremoto.

“Já lidamos com muitos conflitos no mundo todo (…) Mas perder 20, 30, ou 40 mil pessoas em uma noite, não vemos isso nem nesses conflitos”, continuou Griffiths.

“É assustador”, acrescentou.

Em meio a um cenário devastador e a um frio glacial, dezenas de milhares de socorristas locais e estrangeiros trabalham entre as ruínas, em busca de sinais de vida.

Temores pela segurança das equipes de resgate obrigaram, no entanto, que as operações fosse suspensas, e dezenas de pessoas foram presas na Turquia acusadas de cometerem saques após o terremoto, segundo a imprensa estatal.

Uma equipe israelense de voluntários anunciou, hoje, que se retirou, após ameaças “significativas” à sua segurança na Turquia.

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