O Comando Vermelho do Amazonas (CV-AM) consolidou seu domínio na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, de acordo com o relatório “A Amazônia sob ataque – Mapeando o crime na maior floresta tropical do mundo”, elaborado pela Amazon Underworld, organização jornalística que investiga a atuação do crime organizado transnacional, atividades econômicas ilegais e seus impactos no meio ambiente e sociedades da Amazônia. Tabatinga é descrita como um dos pontos mais críticos do tráfico na Amazônia.

De acordo com o levantamento, o Comando Vermelho opera uma rede sofisticada que abrange o Brasil, a Colômbia e o Peru, controlando rotas de produção, transporte e exportação de cocaína. O grupo mantém presença nas prisões de Tabatinga e Letícia, enquanto gerencia a produção de coca e as rotas de tráfico nesses territórios.

O Comando Vermelho entrou com sucesso em áreas de produção de coca e fabricação de cocaína nas regiões peruanas de Loreto, Ucayali e Madre de Dios, controlando assim vários elos críticos da cadeia de suprimento de cocaína.

PCC

Simultaneamente, o rimeiro Comando da Capital (PCC) expandiu suas operações, assumindo o controle da chamada Rota Caipira – um importante corredor de tráfico para a cocaína boliviana e a maconha paraguaia.

A Bolívia é um ponto de expansão fundamental para a campanha internacional do PCC porque é um grande produtor de cocaína que não tem acesso ao mar, o que torna a rede de transporte do PCC para o porto de Santos estrategicamente valiosa.

A rota transporta a cocaína produzida na Bolívia através do Mato Grosso do Sul para portos como Santos (SP) para a exportação para os mercados europeu, africano e norte-americano. O PCC ganhou o controle após o assassinato, em 2016, de Jorge Rafaat Toumani, conhecido como o “rei da fronteira”, que havia sido o intermediário entre o PCC e os grupos locais.

Além das rotas de tráfico, o PCC diversificou suas operações de garimpo em Roraima, especialmente nas terras indígenas Yanomami, na fronteira com a Venezuela. Lá, a facção é denunciada de recrutar migrantes venezuelanos para gerenciar garimpos e atividades econômicas adjacentes, incluindo segurança e exploração sexual.

Portos

As duas facções transformaram os portos brasileiros em centros de trânsito essenciais para o tráfico internacional de drogas.

O relatório registra que Manaus, Belém e Barcarena se tornaram centros de trânsito essenciais para o tráfico internacional de drogas, conectando a produção amazônica a mercados da Europa, África e Ásia.

Manaus atua como um dos principais pontos de coleta e redistribuição das cargas ilegais que descem o Amazonas em direção ao Atlântico.

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