Ele foi fundamental no monitoramento de incêndio florestais. A morte, por infarto, chocou ambientalistas e jornalistas. A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) falou sobre o legado do pesquisador. Na foto acima, Alberto Setzer (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados).


Manaus (AM) – A morte do pesquisador Alberto Setzer, na última sexta-feira (8), em São Paulo, aos 72 anos, chocou a comunidade científica, ambientalistas e jornalistas. Servidor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde 1977, o trabalho dele foi determinante e fundamental para a política de monitoramento de queimadas e incêndios florestais no país. O pesquisador sofreu um infarto fulminante.  

Setzer foi idealizador, em 1985, do Programa Queimadas para o monitoramento de queimadas e incêndios florestais do instituto, do qual foi a principal liderança e diretor por mais de 30 anos.

Atualmente, ele tinha o cargo de coordenador de Ciências da Terra do Inpe, mas nunca deixou de acompanhar o monitoramento das queimadas, com atenção especial para o bioma Amazônia, divulgando e analisando as taxas e os indicadores dos incêndios florestais.

Servidor público dedicado, Setzer sempre teve a compreensão da importância da imprensa como canal de informação e esclarecimento sobre o trabalho da ciência. Nunca impôs obstáculos para falar com jornalistas, por isso era uma fonte acessível.

No que diz respeito à Amazônia Real, Alberto Setzer foi um grande parceiro, interlocutor e fonte permanente para reportagens. Observador atento e rigoroso do cenário do fogo na região, suas análises dos indicadores ajudaram a esclarecer as condições adversas e a provocar tomadores de decisões para combater os impactos ambientais.

Em 2019, durante as queimadas e incêndios florestais, mesmo sob pressão do governo antiambiental e anticiência de Jair Bolsonaro, ele não se calou e se posicionou abertamente sobre a situação do país. Em agosto daquele ano, quando a fumaça das queimadas se espalhou pelo país, concentrando-se no Sudeste, explicou sobre a densa nuvem que se expandiu para outras regiões.

Sua última entrevista à Amazônia Real foi publicada no dia 6 de setembro, na qual alertava para o aumento de queimadas no estado do Amazonas. Setzer também já havia alertado, em agosto, que o El Niño poderia potencializar as queimadas na Amazônia.

Alberto Setzer era graduado em Engenharia Mecânica pela Escola de Engenharia Mauá (1973), com mestrado em Engenharia Ambiental – Technion Institute of Technology (1977) em Israel, doutorado em Engenharia Ambiental – Purdue University Indiana/USA (1982) e pós-doutorado no Joint Research Center/EEC, Ispra/Itália (1993).

Conforme nota publicada no site do Inpe, ele estava no instituto desde 1977, iniciando sua carreira no setor de Meteorologia, com pesquisas sobre a dispersão de poluentes na atmosfera e o uso de imagens de satélites para o desenvolvimento de sistemas avançados de detecção e previsão nos temas de monitoramento de queimadas com imagens de satélites, risco de fogo da vegetação e meteorologia Antártica.

Como principais realizações, destacam-se: a rede da NASA de fotômetros solares AeroNet; foi o precursor no projeto de Meteorologia Antártica do Brasil e o idealizador do Programa Queimadas do Inpe para o monitoramento operacional de queimadas e incêndios florestais.

“Defensor fervoroso do meio ambiente, educando o público sobre questões ambientais e inspirando jovens a seguirem carreiras na ciência ambiental, contribuiu significativamente na formação de pessoas tanto no INPE com em outras instituições”, diz a nota.

Em sua rede social, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lamentou a morte.

“É uma grande perda para a ciência, para a gestão pública, para a história do monitoramento do fogo, no Brasil e no mundo, a morte do grande cientista Alberto Setzer. Seu nome estará para sempre associado a todos os resultados que forem conseguidos na proteção dos biomas brasileiros. Minha solidariedade aos familiares, amigos e colegas do INPE. Que Deus abençoe e console a todos”, diz a postagem da ministra.

A Amazônia Real lamenta profundamente a perda de um dos maiores cientistas do país e um defensor da floresta amazônica e de suas populações. 

O post Morre Alberto Setzer, pesquisador do Inpe e idealizador do monitoramento de queimadas apareceu primeiro em Amazônia Real.

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