Entre 2022 e 2024, o Amazonas consolidou um avanço social superior à média nacional, com mais de 15% dos moradores saindo da linha da pobreza extrema. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em fevereiro, a parcela da população amazonense integrada às classes A, B e C saltou de 45,42% para 60,63% em apenas dois anos. O desempenho estadual superou o avanço do Brasil, que registrou redução de 8,44% na pobreza no mesmo período, retirando 17,4 milhões de brasileiros da vulnerabilidade social.
Para a economista Michele Aracaty, a melhora foi impulsionada por três pilares: o aquecimento do mercado de trabalho, o fortalecimento das transferências de renda e políticas públicas voltadas para o combate à extrema pobreza.
“Mais de 50% dos domicílios do Amazonas receberam benefícios sociais nos últimos anos. Esses fatores contribuíram para a redução da desigualdade econômica e social. A expansão do Bolsa Família e de programas estaduais criaram uma rede de proteção que impediu a miséria extrema”, destacou a economista .
Sem esses auxílios, a proporção de pessoas na extrema pobreza saltaria no Amazonas, afirma Michele Aracaty. “O aquecimento do emprego e as transferências assistenciais contribuíram quase metade para reduzir a desigualdade entre as classes. Contudo, o trabalho formal permanece como a principal fonte de renda, representando 74,5% da renda domiciliar per capita”, explicou.
Motores da ascensão social
Projetos socioambientais também contribuíram para a melhora social. A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) teve aumento de 202% na renda familiar em comunidades atendidas, com o programa estadual Guardiões da Floresta. O benefício abrangeu 39,3 mil pessoas em 16 unidades de conservação e aplicou mais de R$ 57 milhões entre 2008 e 2022, retirando cinco territórios da extrema pobreza.
“A transferência de renda veio acompanhada de uma rede de projetos que incentivam cadeias sustentáveis como pesca manejada, turismo sustentável e produtos florestais”, afirma Valcléia Lima, superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da FAS.
Outras iniciativas ampliaram oportunidades. A Agência de Fomento do Estado do Amazonas (AFEAM) investiu R$ 771 milhões desde 2023 pelo +Crédito Amazonas, gerando mais de 100 mil empregos e ocupações. A Secretaria Executiva do Trabalho e Empreendedorismo (Setemp) encaminhou 7.969 pessoas para entrevistas e 1.400 foram contratadas. Já a Secretaria de Assistência Social (Seas) criou linhas de crédito para mulheres empreendedoras. Na área habitacional, a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) prevê 24 mil moradias até o fim de 2026 e reassentamento de 2,8 mil famílias até 2027.
Consumo e custo de vida
Apesar do avanço social, pesquisadores alertam para limites estruturais. O sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Israel Pinheiro, defende que mesmo com o crescimento, o baixo nível educacional e a dificuldade de acesso a empregos formais persiste.
“A cesta básica consome 45% do salário mínimo e pressiona o bolso das famílias. O salário-mínimo necessário para quatro pessoas viverem com dignidade deveria ser superior a R$ 6,8 mil, considerando moradia, alimentação, transporte e educação. Então, o custo de vida continua sendo um obstáculo”, explica, citando dados do Dieese, de janeiro deste ano.
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