O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou, na manhã desta terça-feira (09/09), em Manaus, o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), uma das principais entregas do governo federal dentro do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas). O espaço, coordenado pela Polícia Federal (PF), reunirá forças de segurança de estados da Amazônia Legal e de países vizinhos para combater crimes transnacionais, ambientais e conexos.

Em seu discurso, Lula foi enfático ao afirmar que o Estado não pode abrir espaço para organizações criminosas.

“Não existe espaços vazios, o crime ocupa os lugares que o Estado não preenche. Nossa missão é restituir a força da lei pela presença do Estado. É isso que representa esse Centro, por meio dele agentes de segurança poderão combater a criminalidade […] O crime organizado que se prepare, porque a justiça vai derrotá-los”, declarou.

O presidente ressaltou ainda que as redes criminosas atuam como “multinacionais do crime”, com ramificações dentro e fora do Brasil, e destacou que o país tem capacidade de enfrentar o problema com soberania.

“Somos perfeitamente capazes de ser protagonistas das nossas soluções. O Centro será um polo de investigação conjunta, sem necessidade de intervenções estrangeiras”, concluiu.

Autoridades e discursos

O evento contou com a presença do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que defendeu maior integração entre exércitos da região: “É preciso integrar os exércitos da Amazônia para acabarmos com a máfia”.

Também participaram a vice-presidenta do Equador, Maria José Pinto; o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski; e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, enviou mensagem em vídeo, destacando que a criação do CCPI envia “uma mensagem clara de que Brasil e países amazônicos estão comprometidos com a proteção da floresta e a segurança das comunidades que nela vivem”.

Cooperação internacional

O CCPI funcionará em Manaus com apoio da Interpol, Europol e Ameripol, além de reunir policiais da Amazônia Legal e de países vizinhos como Colômbia, Peru, Bolívia, Guiana Francesa e Suriname. França, Venezuela e Equador também estão em tratativas para integrar a estrutura.

A atuação será em três frentes:

• troca de experiências e técnicas contra crimes ambientais;

• intercâmbio ágil de informações entre forças policiais;

• compartilhamento de investigações em andamento para alcançar organizações que operam em diferentes continentes.

A estrutura inclui serviço de inteligência, divisões de operações e logística, sala de videomonitoramento, gabinete de crise e espaço para imprensa.

Segundo o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), o CCPI receberá R$ 36,7 milhões para aluguel da sede, aquisição de equipamentos, mobiliário, viaturas e lanchas. O investimento faz parte de um fundo de R$ 318,5 milhões destinado a ações de combate a crimes ambientais e ao desmatamento ilegal.

Para o banco, o centro é prioridade dentro do Plano Amas por coordenar o monitoramento e a repressão a ilícitos como lavagem de dinheiro, grilagem de terras, contrabando e sonegação.

Agenda na capital amazonense

Ainda nesta terça-feira, Lula participa da cerimônia de implementação do Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais, quando serão assinados contratos do BNDES com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e com o Memorial Chico Mendes para execução de novos projetos na região.

A solenidade está prevista para ser realizada no Auditório Rio Amazonas, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

👁 2 visualizacoes

PUBLICIDADE