Indústria amazonense deve enfrentar desafios em 2024, sobretudo na política

Após o Amazonas viver a pior seca da história, prejudicando a navegação e a chegada e saída de mercadorias nos portos da região, representantes da indústria amazonense acreditam que 2024 será um ano de boas perspectivas, mas com alguns desafios, principalmente no âmbito político.

De janeiro a outubro de 2023, as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) faturaram R$ 146,9 bilhões. O valor demonstra estabilidade em relação ao mesmo período do ano anterior. Os resultados dos meses que sucederam a seca ainda não foram divulgados.

De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, a estabilidade já era esperada para o setor industrial. Para 2024, alguns desafios precisam ser enfrentados. “Precisamos monitorar e planejar as operações fabris para um eventual novo período de estiagem. Temos que buscar antever e reduzir os impactos negativos da questão ambiental”, afirmou.

Para Silva, as expectativas são positivas na economia, uma vez que a inflação tende a desacelerar e a taxa básica de juros a operar em queda. “Além disso, conseguimos garantir, recentemente, o direito à apropriação do crédito de ICMS na aquisição de mercadorias produzidas no PIM, garantindo nossa segurança jurídica”, informou.

Suframa
O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, avalia que as perspectivas são boas para o ano que se inicia, no que se refere ao impacto positivo na produção e no faturamento do PIM.

“Temos a expectativa de números melhores para 2024, em resultado da tendência de redução da taxa básica de juros por parte do Copom, iniciada no mês de agosto. Decisão que pode se refletir na recuperação da capacidade de consumo das famílias. Além disso, a estabilização dos níveis dos rios, obras de dragagem em pontos críticos e sinalização de reversão gradual dos severos efeitos da estiagem devem contribuir positivamente com a normalização da produção no PIM”, avaliou.

Política
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Júnior, também acredita que alguns desafios precisam ser superados, sobretudo na política, para que 2024 seja um ano de crescimento econômico para o segmento industrial.

“2024 é um ano curto para decisões políticas, considerando que teremos eleições municipais. Sabemos que são os vereadores e prefeitos a base dos parlamentares e congressistas nacionais, portanto muitas questões devem ser tratadas e resolvidas no primeiro semestre do ano’’, esclareceu.

Reforma tributária
No final do ano passado, o Congresso Nacional promulgou a emenda constitucional 132/2023, que instituiu a reforma tributária. A alteração buscou simplificar e unificar os tributos sobre o consumo e ainda garantiu as vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus (ZFM), com a continuidade do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os produtos concorrentes aos fabricados na ZFM e a previsão de criação do Fundo de Desenvolvimento Sustentável dos Estados da Amazônia Ocidental e do Amapá.

A medida promulgada manteve o IPI sobre os produtos da ZFM a partir de 2027, que seria extinto com a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Dessa forma, o IPI continuará a incidir sobre as mercadorias similares às produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM).

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