Familiares e amigos de Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, realizaram um protesto, na manhã desta quarta-feira (22/04), em frente ao Fórum Henoch Reis, no bairro Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus. Eles pediram justiça pela morte do jovem, ocorrida durante uma abordagem policial no fim de semana.
Com faixas que diziam “não foi acidente, foi erro” e balões pretos, os manifestantes denunciaram o que consideram contradições na versão apresentada inicialmente pelos dois policiais militares envolvidos. Durante o ato, foi exibido um banner com a imagem de Carlos André ao lado do filho, ainda bebê.
Em entrevista à imprensa, a mãe da vítima, Eliane dos Santos Almeida, afirmou que não pretende se calar diante do caso. Segundo ela, ao chegar ao local da ocorrência, foi informada por policiais de que o filho teria sofrido um acidente.
“Eu acreditei. Disseram que ele tinha quebrado o pescoço. Depois mudaram a versão, falaram que deram tiro para o alto. Só quando a perícia chegou vimos que ele tinha sido baleado. Não foi acidente”, relatou, emocionada.
A família também questiona a conduta dos agentes envolvidos. “Eles não tinham argumento para falar do meu filho. Não era nem para estarem na polícia”, disse Eliane.
Prisão dos policiais
Nessa terça-feira (21/04), a Justiça do Amazonas decretou a prisão preventiva de Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos. Os policiais militares se entregaram à polícia no mesmo dia.
A decisão foi tomada com base em representação parecer favorável do Ministério Público do Estado do Amazonas, que apontou indícios de autoria e materialidade, além da necessidade de manutenção da prisão.
De acordo com o advogado da família, Alexandre Torres Jr., há preocupação de que a defesa dos policiais tente reverter a prisão. Um dos argumentos apresentados seria o fato de um dos agentes ter filho menor e esposa grávida.
“A família ficou ainda mais revoltada e pede que a Justiça mantenha a prisão”, afirmou o advogado.
Denúncias de perseguição
A defesa de Carlos denuncia ainda perseguição e tortura às testemunhas e amigos do jovem.
“Policiais militares estão usando spray de pimenta e agressões no bairro Alvorada para impedir que vizinhos entreguem vídeos de câmeras de segurança à Polícia Civil e impedir depoimentos”, revela Alexandre.
Sobre o caso
A morte de Carlos André ocorreu na noite de sábado (18/04), no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste da capital. O jovem conduzia uma motocicleta quando foi abordado por policiais e atingido por um disparo no tórax.
Imagens de câmeras de segurança registraram parte da ação. Segundo relatos, o jovem teria sido agredido antes do disparo. Testemunhas também afirmam que o local foi isolado após o ocorrido, dificultando a aproximação de socorro.
O caso segue sob investigação pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros. Os policiais foram encaminhados ao batalhão da corporação, onde permanecem à disposição da Justiça.
Posicionamento
A reportagem solicitou posicionamento da assessoria de imprensa da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) . Até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para manifestações.
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