Quatro meses após a morte de Benício Xavier Freitas, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia, em Manaus, os pais da criança — Joyce e Bruno — vieram a público cobrar maior agilidade das autoridades. O ponto central da manifestação é a demora na conclusão do laudo de necropsia pelo Instituto Médico Legal (IML), documento considerado peça-chave para que a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) finalize o inquérito e o Ministério Público (MPAM) possa oferecer denúncia.
Para Joyce e Bruno, além de impedir o andamento do caso, a demora na emissão do exame tem prolongado o sofrimento da família.
“Estou aqui para implorar por justiça após quatro meses de espera pelo laudo do IML. Queremos que a Polícia Civil receba esse laudo para que possa oferecer a denúncia e os responsáveis sejam punidos. Não queremos vingança, mas sim que a justiça seja feita”, desabafou Joyce, mãe de Benício.
Sem o laudo, a investigação segue travada. A PC-AM já solicitou um novo prazo de 45 dias para concluir o inquérito, enquanto etapas como a análise do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), atuação das defesas e eventuais perícias dependem do resultado técnico oficial. Também estão sob análise os protocolos adotados no atendimento e o funcionamento do sistema Tasy EMR, utilizado para prescrição de medicamentos.
Para o advogado da família, Paulo Feitosa, a complexidade do caso justifica a ampliação do prazo, mas reforça a necessidade de celeridade, quanto à desmobilização da opinião pública.
“A investigação envolve falhas sistêmicas dentro de um hospital particular, incluindo erros médicos, deficiências estruturais e falta de equipamentos e especialistas. Contudo, a demora pode levar à diminuição da atenção da sociedade, o que é um ponto de preocupação, pois o caso poderia envolver qualquer pessoa. A luta é por justiça e pela agilidade das autoridades competentes”, destacou.
Em meio ao luto, a família afirma confiar nas instituições, mas reforça o apelo para que o caso seja esclarecido o quanto antes. “Queremos honrar a memória do nosso filho e evitar que outras famílias passem por isso”, concluiu a mãe.
Relembre o caso
Benício faleceu no dia 23 de novembro de 2025, após receber doses de adrenalina por via intravenosa. Segundo as apurações da polícia, a dosagem e a forma de aplicação seriam incompatíveis com o quadro clínico do menino, resultando em paradas cardíacas logo após a medicação.
Além disso, há questionamentos sobre possíveis irregularidades, como manipulação de provas e a autenticidade de vídeos apresentados durante a investigação, que ainda passam por perícia após indícios de alteração.
Entre os pontos investigados estão as condutas da médica Juliana Brasil, responsável pela prescrição e da técnica de enfermagem Rayza Bentes, que realizou a aplicação da medicação. Ambas foram afastadas das funções por decisão judicial.
Até o momento, não há definição sobre responsabilizações. A conclusão do laudo do IML deve orientar os próximos passos da apuração.
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