O vereador Rosinaldo Bual voltou a ser afastado das funções legislativas na Câmara Municipal de Manaus (CMM). A informação foi confirmada ao Toda Hora pela defesa do parlamentar, nesta quarta-feira (20/05), após questionamentos sobre ausências registradas no Portal da Transparência da Casa. Mesmo afastado, ele continua recebendo o salário integral de aproximadamente R$ 26 mil mensais.
Bual já havia sido afastado por 120 dias após a operação “Face Oculta”, deflagrada em outubro de 2025. Em fevereiro deste ano, embora continuasse proibido de frequentar fisicamente a Câmara, o vereador passou a registrar presença de forma virtual, até a nova decisão judicial que determinou o afastamento.
Em consulta ao Portal da Transparência da CMM, é possível verificar que Bual esteve ausente em todas as sessões plenárias realizadas no mês de abril. Em março, o parlamentar também faltou a metade das reuniões do período, acumulando sete ausências em 14 sessões plenárias.
Mesmo sem comparecer às atividades legislativas, o vereador continuou recebendo salário integral de aproximadamente R$ 26 mil mensais, com descontos restritos ao Imposto de Renda e à contribuição previdenciária.
Ao Toda Hora, o advogado Emerson Paxá informou que a Justiça suspendeu a possibilidade de atuação remota do parlamentar, modalidade adotada por ele desde fevereiro deste ano.
“É uma discussão que está sendo tratada na ação penal sobre se ele vai poder continuar nesse formato ou não. Por enquanto não está indo, já foi informado à Câmara também. Isso é tudo que eu posso falar por enquanto”, afirmou.
Segundo a defesa, apesar da nova restrição, Rosinaldo Bual permanece no cargo, porém afastado das funções legislativas e impedido de acessar fisicamente as dependências da Câmara Municipal.
O advogado destacou ainda que, até o momento, não há previsão para o julgamento do caso.
Questionado sobre a manutenção do pagamento salarial mesmo diante do afastamento das atividades legislativas, o advogado explicou que o parlamentar segue amparado pela presunção de inocência.
“Ele é servidor público em um cenário de afastamento eventual por conta de uma ação penal. Se fosse uma condenação ou cautelar já seria diferente. Ainda tem a presunção de inocência dele também”, declarou.
Posicionamento CMM
A reportagem procurou a CMM para esclarecer a situação funcional do vereador e os critérios adotados para manutenção do pagamento salarial durante o afastamento. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Relembre o caso
Rosinaldo Bual foi preso em outubro de 2025 durante a operação “Face Oculta”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas (MPAM).
As investigações apontam suspeitas de prática de rachadinha no gabinete parlamentar, além do suposto uso de recursos públicos desviados para operações de agiotagem.
Após ficar 120 dias afastado por decisão judicial, Bual retomou formalmente o mandato em fevereiro de 2026. Como seguia proibido de frequentar fisicamente a Câmara, passou a registrar presença de forma virtual até a nova suspensão determinada pela Justiça.
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