Correr deixou de ser apenas uma atividade física para se tornar um fenômeno social em Manaus. Nos últimos anos, a capital amazonense tem visto ruas, parques e avenidas ocupados por um número cada vez maior de corredores, movimento que também se reflete no aumento das provas oficiais.

Dados da Confederação Brasileira de Atletismo apontam que o Amazonas registrou crescimento de 94% no número de corridas autorizadas, conhecidas como “Permit”, entre 2024 e 2025.

O “Permit” é uma autorização oficial concedida pelas federações para a realização de corridas. Para obtê-lo, os organizadores precisam cumprir critérios como estrutura adequada, atendimento médico, hidratação, segurança, entrega de kits e premiação, exigências que ajudam a profissionalizar o setor.

Corrida como recomeço
Por trás dos números, estão histórias como a de Aline Castro, corredora desde 2018. Ela começou a correr após um acidente que a levou a um período de tristeza profunda. “Comecei devagar, mais por necessidade do que por vontade… mas, a cada passo, a corrida foi me curando por dentro”, conta.

Com o tempo, a prática se transformou em algo maior do que exercício físico. “Hoje, eu não corro só por saúde. Eu corro porque isso faz parte de quem eu sou. A corrida me resgatou”, relata.

Ela também observa o crescimento da prática na cidade. “Cada vez mais pessoas nas ruas, nas provas e nos grupos. A corrida aproxima, cria amizades e fortalece uma comunidade muito positiva”, afirma.

‘Boom’ das corridas transforma dinâmica do esporte e movimenta economia
Aline Castro completou o sonho de correr 42 km na Maratona de Manaus – Foto: Acervo Pessoal

Saúde e equilíbrio
Para a jovem Luciana Paiva, de 26 anos, a corrida também surgiu como apoio em um momento delicado: o diagnóstico de Endometriose. “Eu precisava de algo que me ajudasse física e emocionalmente, e a corrida virou esse apoio, me ajudando a controlar minha ansiedade, além de proporcionar a uma perda de peso significativa”, conta a agente comercial.

Com treinos regulares, ela conseguiu melhorar a qualidade de vida e afirma que segue mantendo o hábito que transformou sua rotina. “A corrida virou uma aliada na minha saúde e no meu equilíbrio”, comemora.

Um mercado que cresce junto
O avanço das corridas também movimenta outros setores. Um exemplo é o da fotografia esportiva, que ganhou força com o aumento de provas e treinos coletivos. Na faixa liberada da avenida Getúlio Vargas e em espaços como o Parque do Mindu, é comum ver dezenas de fotógrafos registrando atletas.

A jornalista Pietra Telles encontrou nesse cenário uma nova profissão. “Comecei a fotografar há três anos, com foco maior em futebol, mas há quase um ano foco na fotografia de corrida. Consegui tornar ela minha única fonte de renda”, afirma.

Segundo ela, em um único domingo é possível produzir cerca de 10 mil imagens, que podem ser compradas posteriormente pelos atletas e iniciantes por preço tabelado de R$13,90.

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