Com a pandemia diversas doenças deixaram de ser diagnosticadas e outras ficaram sem tratamento, como o glaucoma.
De acordo com levantamento feito pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), houve queda de 1,6 milhão de exames para detecção precoce pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo menos 6.500 cirurgias para o tratamento da doença deixaram de ser realizadas só no ano de 2020, representando uma queda de 22% em relação ao ano anterior, o que tem chamado muita atenção para as possíveis complicações, como a cegueira.
O glaucoma é uma doença ocular que acomete o nervo óptico e pode causar cegueira e baixa visão. É conhecida como uma moléstia traiçoeira porque muitas vezes não apresenta sintomas. Dessa forma, muitos indivíduos sequer sabem que são acometidos, o que prejudica, em muito, o prognóstico; e sem o tratamento adequado, evolui até o surgimento dos primeiros sinais, que já podem, infelizmente, ser o indicativo de sequelas da doença.
Ao todo, existem quatro tipos de glaucoma: o congênito, onde a malformação é intrauterina; o secundário, causado por algum trauma no olho; o de ângulo fechado, que é mais raro, e o de ângulo aberto, que é o tipo mais comum e acontece em 80% dos casos da doença. O glaucoma de ângulo aberto acomete geralmente pessoas acima dos 40 anos e vai piorando conforme o envelhecimento.
O controle da pressão intraocular e avaliação do nervo óptico é essencial para o tratamento, que pode incluir o uso de colírios e procedimentos cirúrgicos em casos indicados. Uma pesquisa realizada pelo Ibope mostrou que 53% dos entrevistados não sabiam que o glaucoma podia causar cegueira. O levantamento mostrou ainda que 41% das pessoas também não sabiam o que era a doença.
Durante a pandemia muitos deixaram de lado o acompanhamento da doença, o que se tornou um problema. Pacientes com glaucoma precisam ser vistos com frequência pelo médico oftalmologista. Sem avaliação adequada, o glaucoma pode evoluir sem dar sinais e resultar na perda total da visão, o que tem acontecido de norte a sul do País, de acordo com os especialistas.
A pandemia, mais uma vez, vem mostrando sua face. No caso do glaucoma é essencial o acompanhamento adequado pelo médico oftalmologista e a realização correta dos tratamentos. A detecção precoce é essencial para a manutenção da saúde ocular e preservação da visão, afastando, definidamente, o fantasma que é a cegueira.
*Médico oftalmologista. Tem formação em Oftalmogeriatria, com especialização em Gerontologia e Saúde do Idoso. Atua como diretor clínico na Policlínica Codajás, é coordenador do ambulatório de oftalmologia na FUnATI (Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade ) e cursa mestrado em Doenças Tropicais e Infecciosas pela Fundação de Medicina Tropical (UEA/FMT – HVD)
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