Um dos métodos anticoncepcionais mais comuns entre as mulheres, o Dispositivo Intrauterino (DIU) ainda levanta vários dilemas. Apesar das dúvidas acerca do contraceptivo, a ginecologista Michelly Motta explica que ele ganha espaço na escolha das mulheres por oferecer uma maior facilidade e praticidade no uso – elas não precisam lembrar diariamente, tal como é com a pílula anticoncepcional.
Atualmente existem vários modelos de DIU, com e sem hormônios. Dentre essa variedade, existem cinco mais utilizados. Os sem hormônios são: DIU de cobre, onde a troca geralmente é feita 10 anos após ser colocado, o DIU de cobre com prata, o mini DIU de cobre com prata, que tem validade de 5 anos, sendo que é utilizado geralmente em mulheres que ainda não tiveram filhos e por isso podem ter o tamanho do útero reduzido.
Os modelos com hormônios são o Mirena e o Kyleena, este último é a versão “mini”. Todos os cinco tipos têm diferenças nas suas composições, agindo de diferentes formas no corpo da mulher, mas promovendo um excelente resultado de contracepção.
Se for o de cobre, esse DIU terá ação sobre o espermatozoide e também provocará alteração no muco cervical. É um método contraceptivo não hormonal muito seguro. Algumas pacientes reclamam do aumento do fluxo menstrual e de cólicas. A chance de falha desse método é de 0,5%, semelhante à pílula.
No de cobre com prata, a prata estabiliza o cobre causando menor reação inflamatória. Então essa queixa de aumento do fluxo e da cólica é mais rara. No mini DIU de cobre com prata o efeito é o mesmo, só o tamanho que é menor.
O hormonal tem efeito de ação contraceptiva pela atrofia endometrial e mudança do muco cervical, que fica mais espesso, o que dificulta a subida do espermatozoide. Geralmente mulheres que usam esse método param de menstruar com o passar dos meses.
É um método altamente seguro e com índice de falha de 0,2%. O DIU de cobre começa a fazer efeito imediatamente após ser colocado.
O método é contraindicado para mulheres com malformações uterinas como: útero bicorno, útero septado ou intensa estenose cervical, mioma submucoso e processos inflamatórios pélvicos agudos (endometrite, cervicite mucopurulenta, tuberculose pélvica). Mulheres em anticoagulação ou com distúrbios da coagulação não devem usar o DIU de cobre.
Apesar de ser contraindicado em alguns casos, o DIU é muito eficaz em outros. É o caso das mulheres que desejam contracepção reversível e de longo prazo, por exemplo, e também aquelas que estão amamentando, pois não interfere com a produção do leite.
O DIU de cobre é o método mais indicado principalmente para as mulheres que não podem usar hormônios, como as que têm histórico de câncer de mama, por exemplo.
A história de que mulheres só podem colocar DIU após terem filho cai por terra. Seu uso é atualmente indicado até para as adolescentes, pois é um método que traz menos riscos a longo prazo.
No caso das mais jovens é uma opção interessante também, pois não depende da lembrança diária e por ser um método contraceptivo que não irá afetar os hormônios, fazendo com que a paciente mantenha seu ciclo menstrual fisiológico.
Vale lembrar que mesmo fazendo o uso de DIU deve-se sempre reforçar o uso do preservativo, para evitar DSTs.
Em alguns casos o DIU pode estar mal posicionado e sair do lugar.
Caso isso aconteça é necessário procurar um médico. O mal posicionamento pode acontecer em 10% dos casos e por isso é importante a avaliação regular com ultrassonografia transvaginal, pelo menos uma vez por ano.
Se ele estiver baixo, pode ser reposicionado pela histeroscopia, um exame que filma o útero por dentro. Esse aparelho tem uma pinça bem fina que consegue empurrar o DIU para cima de novo. Outra opção, se o local não tiver esse aparelho, é retirá-lo e colocar um novo.
Além disso, pode ocorrer a expulsão do DIU, mas isso é mais comum no primeiro ano de uso.
As mulheres que desejam fazer uso do DIU como principal método contraceptivo é indicado que procure um ginecologista para conversar e tirar todas as dúvidas.
Vale lembrar que o DIU de cobre começa a fazer efeito imediatamente após ser colocado, não afetando os hormônios e sendo um dos métodos mais eficazes de contracepção. As taxas de gravidez são inferiores a 1 em cada 100.000 mulheres/ano.
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