Texto: Ana Patrícia Dias

A seca deste ano promete ser tão severa ou pior que a registrada em 2023, conforme apontam estudos hidroclimatológicos da Defesa Civil do Amazonas. A situação é tão preocupante que o órgão chegou a sugerir que a população ribeirinha estoque de alimentos.

Segundo o secretário executivo de Defesa Civil, coronel Francisco Máximo, os níveis dos rios em todas as calhas do estado estão abaixo do esperado para o período, se comparado a anos anteriores.

No início deste mês, por exemplo, a cota do rio Negro chegou à marca de 25,57 metros. Em anos anteriores, as cotas nesse mesmo dia eram de 27,33 metros (2023); 28,99 metros (2022) e 29,30 metros (2021).

Na quarta-feira (15), em entrevista a um programa de TV, o chefe da Defesa Civil chegou a pedir que a população ribeirinha estocasse água e comida para evitar possíveis crises de abastecimento.

“De acordo com o nosso prognóstico, a estiagem de 2024 deve ser mais intensa do que a registrada em 2023, com a possibilidade de um cenário crítico em determinadas áreas do estado”, alertou o chefe da Defesa Civil.

Com o panorama, ações consideradas urgentes já estão sendo mobilizados na tentativa de minimizar os impactos da estiagem, como a dragagem dos rios, que será feita pelo Governo Federal por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit); manutenção de portos e aeroportos; controle de qualidade do ar; soluções para acesso à água potável; e medidas que evitem o desabastecimento de combustíveis, comércios e comunicações.

“A estiagem é um fenômeno que está cada vez mais recorrente em nossa região, e é de suma importância que estejamos preparados para enfrentá-la da melhor forma possível”, disse o secretário.

Seca de 2023 – Foto: Michael Dantas/AFP

Segundo trimestre

Para a segunda quinzena de maio e os meses de junho e julho, as gerências de monitoramento meteorológico e geológico (hidrologia) do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil do Amazonas indicam que as chuvas deverão ficar dentro da normalidade na maioria das calhas do Amazonas.

No entanto, os baixos volumes de precipitação indicados no prognóstico para as regiões das cabeceiras dos rios Juruá, Purus e Madeira aumentam a evidência da ameaça de estiagem no estado.

A estação com os maiores volumes de precipitação já está chegando ao fim no Amazonas e nos próximos meses, os volumes de precipitação serão bem menores para a Região Sul e Central do Estado.

Para os próximos dois meses, o relatório prevê chuvas abaixo da média climatológica sobre as regiões das calhas do Alto Purus, Alto Juruá e Alto Madeira, e acima da média sobre à calha do Médio Rio Negro. Já a temperatura deve atingir níveis acima da normalidade em todo o Amazonas.

Com cenário preocupante para seca, Defesa Civil sugere estoque de alimentos
Seca de 2023 – Foto: Michael Dantas/AFP

Vazante dos rios

Devido à conjuntura hidrológica atual na bacia do Solimões, os níveis em Itacoatiara e Parintins seguem abaixo da normalidade e não apresentam condições de recuperação rápida, indicando que as cotas do médio e baixo Amazonas iniciarão o processo de vazante abaixo da curva de permanência.

Em Manaus, no mês de maio, o rio recuperou 1,66 metros, com os rios em recuperação da grande seca de 2023. As regiões do Juruá e Purus estão em processo inicial de vazante, já as áreas do alto Solimões anteciparam seu processo de vazão.

Enquanto isso, o médio/baixo Solimões e Rio Negro estão com processo lento de enchente nas calhas do Médio e Baixo Amazonas, que ainda apresentam níveis baixos para o período.

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